traplev
sobre
sem título (aproveitar o capitalismo...)
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válido para
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formulários e modos opcionais sala 1
die ausdehnung - a extensão como efeito
frases sampler
planejamento portátil
formulário 1
a extensão como efeito - sala 3, 2009, vista da instalação, dimensões variáveis Montgomery, Berlim

A exposição girou em torno da pesquisa que o artista vinha realizando na época sobre o livro de Georges Bataille, "A Parte Maldita, sobre a noção de despesa", e em Berlim, onde residiu por 6 meses, aproveitou para fazer uma leitura paralela do português com a língua alemã.

Questões como "interesse, desejo e utilidade" são pontos centrais da investigação para a exposição, assim como os efeitos da pressão que é um dos capítulos iniciais do livro.

(...) Calculamos nossos interesses, mas essa situação nos desarma: é que o próprio termo interesse entra em contradição com o 'desejo' em jogo nessas condições. A partir do momento em que desejamos agir convenientemente, devemos ter em vista a 'utilidade' de nossos atos: a utilidade implica vantagem, manutenção ou aumento. (...) Supondo que não haja mais crescimento possível, o que fazer do fervilhar de energia que subsiste? O 'perder' evidentemente não é o 'utilizar'. Trata-se, porém, de uma sangria, de uma pura e simples perda, 'mas ela ocorre de qualquer forma': antes de tudo, o excedente de energia, se não pode servir para o crescimento, fica perdido. Assim, essa perda inevitável não pode de forma alguma passar por útil. Trata-se apenas de uma perda agradável, preferível a uma outra desagradável: trata-se de 'consentimento', e não mais de utilidade. (...)

o processo de trabalho envolveu além da coleta de materiais na cidade para o estúdio, apropriação de objetos e até trabalhos manufaturados como as calculadoras e a colagem com os jornais, entre outras estruturas e dispositivos na instalação. O registro em fotografia de algumas ações na cidade e no estúdio também foram realizadas.
detalhes com diversos elementos entre lápiz, prancheta, sacolas plásticas e etc - dimensões variáveis
G R █ V E
equivalência absurda - sala 3
conceitos em geral (notas para)
planificar a economia geral
sem título (tanques)
endose una crítica
sem título (expedição/ação el basilisco)
paisagem²
5 idéias
a dívida não está paga!
contato
tempos de / espaços para
sem título (inverter a ordem)
textos
recibo
r70 - instalação
ação fotográfica de carnaval
O que queria dizer a extensão como efeito? Se trataria de uma comunidade? Ou seria a atividade de intercâmbios, empréstimos, gastos e interesses? Seria o “Fazer” que três pessoas exercitavam como pretexto, em uma extensão comum: a prática de arte? Ainda desconhecendo esse coeficiente ou comum denominador, e provavelmente ignorando também a arte, creio que todos concordamos que falar e ficcionalizar, era a única ferramenta possível para o desacordo1.

Já tratava-se de criar uma agência de orçamentos (Traplev), ou somar pilhas de futuros, picolés, fotografar pedrinhas de uma experiencia vivida (Stolf), ou escrever sobre as distribuições do sensível e seus possíveis intrometimentos (em meu caso, tomando a Ranciére e Vauday emprestados), fazíamos do cálculo, o gasto e o trabalho, as peças centrais para especular algo juntos. Decifrar um e outro seria ver entre nós o que restava de “comum” em nossas práticas para cada um, assim como no “desacordo” ver o que estamos expostos quando cremos estar falando o mesmo idioma. Sem a redundância da linguagem, matizes do outro não se compreendem, sem falarmos, menos ainda.

Creio que, talvez isso explicaria em algo a necessidade compulsiva de Traplev de traduzir até o inefável. O que é um interesse pessoal? Escreve e se pergunta e provavelmente nos pergunte também, ou como pensa Stolf, como se soma o futuro, desde uma ilha que se expõe logo no Montgomery? Talvez ela nao possa escutar seus picolés, deslocada, inventa as formas de trabalho contemporâneo (não só da arte), enquanto que a distancia ouve as ressonâncias geográficas de um som lançado a uma extensão comum apesar de desconhecida para ela. Adverte um efeito. Em uma política sensível (que seguramente imaginamos e felizmente discordamos), administrar é decidir o que se ve e o que se disse, com os efeitos e extensões que ela designa. Mas como isto não é política, ou ao menos não explicitamente, devemos supor que no caminho: praticar, fazer, ensaiar, dizer, explicar e escrever a “extensão”, é um modo que encontramos para explicarmos a ficção de um intercambio de vozes, de algo conceitual, visual e material que nos fez ver um horizonte de possibilidades apesar de finalmente, um só de eles que esteja, no que se mostra, por agora nesta “sala 3”. Penso que a probabilidade de que a ficção nos de uma resposta, é impossível, mas seguramente permite a especulação da certeza. Calcular um resultado que tem limites precisos também divide os sensíveis apesar do mesmo cálculo nao vir só desse universo. O gasto sempre é um conceito eficaz para nós, talvez mais claramente para Traplev (que anda lendo Bataille “La part maudite” sem desperdício), e o cálculo é um efeito que elegemos mostrar cada vez. Na contradição do real, existem talvez outros sensiveis de ordem ficcional. Nao creio que sejamos nem uma comunidade acéfala (Bataille), nem inconfessável (Blanchot), mas sim de soberania se trata, creio que seriamos uma comunidade regulada pelos efeitos e situações, sempre e quando medie a poesia como temperatura constante, como na lei de Boyle.

Ocasionalmente, Traplev, Raquel e eu, fazemos desta extensão, uma forma visível de uma comunidade (a artística, para cada um), sobre os efeitos de pressão. Mas sem dúvida a extensão não é somente geográfica, material, textual o assimétrica, é sim, onde a visualidade precária de calculadoras feitas de cartao e papéis recortados de cores, textos escritos a mão ou ainda de máquina de escrever, em um jogo semantico absurdo através de gráficos de escritórios e burocracias administradas (até as pedras do rio Rhein sao sujeitadas a elásticos), se voltam em uma narrativa imaginada e a poesia uma forma de afirmação, como uma estética crítica ao “excesso”. Em um território onde os regimes de visibilidade repetidos explicam a hipótese do biopoder e os comportamentos de consumo dos sujeitos, Traplev e Stolf, devolvem ligeiramente o efeito que a pressão exerce na sensibilidade para falar da vida em diversas comunidades em uma extensão deslocada. A extensão que alcançam para evitar a anestesia, a hipertrofia, é uma distancia comum que não volta imediatamente ao consumo, ainda mais quando está apresentado em algo que conhecemos como processos e práticas artísticas.

Buenos Aires, März 2009.


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1 - Na filosofia de Ranciére o desacordo não é a diferença entre opostos sim a aparente compreensão comum sobre algo, ainda que os falantes entendam por isso algo distinto entre si. Ver Jacques Ranciére, El desacuerdo, Política y Filosofia, Buenos Aires, Nueva Visión,1996, pág 8.
Um Interesse + uma voz + uma mão que escreve.
Teresa Riccardi
interesse 2 e 3, 2007-2009, colagem sobre jornal - 42cm x 60cm (cada)
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