Arma da Crítica/ Orientação para a Prática, 2019
Meta-Arquivo espaço de escuta e leitura sobre a ditadura, 1964-1985,
curadoria e pesquisa Ana Pato, Sesc Belenzinho, SP, Brasil, 2019

"Arma da crítica" e "Orientação para a prática" são dois títulos de documentos do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), de 1970 que Traplev se apropria para nomear seu conjunto de trabalho na exposição Meta-Arquivo.

O artista apresenta dois painéis de grandes dimensões com dois organogramas cada um fica na parede oposta do outro, um sobre organizações de esquerda e outro sobre órgãos de repressão, ambos pertencentes aos arquivos do Dops e publicados em "Brasil: nunca mais", célebre obra de Don Evaristo Arns pesquisado sob segredo durante 7 anos arquivos da Justiça Militar durante o período de 1964-1985.

Sobre o Organograma das Organizações de Esquerda, Traplev apresenta uma intervenção sobre páginas do arquivo histórico encontrado "dicionário da subversão", produzido pelo CISA (Centro de Informação da Marinha, órgão interno da Força Aérea durante a ditadura militar) em 1972 e distribuído para todos os setores de informação dos órgãos de repressão.

Esse dicionário é reorganizado e recategorizado pelo artista com a inserção de letras e números sobre as páginas dos documentos, que se reagrupam sem uma ordem específica oferecendo uma leitura subjetiva da história.

No painel Organograma dos Órgãos de Repressão, o artista dispõe cinco retratos, 4 de generais ditadores presidentes, e um delegado torturador, cujos rostos estão borrados de vermelho, e o vestígio que informa a origem desses retratados são os uniformes e os vestígios da história. Ainda como parte desse conjunto, o vídeo/sampler "quebra-cabeça" apresenta um vídeo randômico com uma longa pesquisa iconográfica sobre organizações clandestinas dos anos de 1960/70 onde evidencia questões sobre a justiça de transição no país.

Traplev também apresenta o vídeo-slide Anti-monumento para Anísio Teixeira, realizado em 2018 que traça uma linha histórica brasileira a partir da Escola Parque de Anísio Teixeira (Salvador, 1950), importante intelectual e educador brasileiro que foi assassinado pela Marinha no Governo do ditador presidente Garrastazu Médici, mas até hoje é ignorado pelo governo brasileiro.

(Fotos da exposição e das obras: Júlio Kohl, fotos do educativo: Célia Fernandes)
painel 1 , organograma dos órgãos de repressão, arquivo Brasil Nunca Mais, 1985.

Painel impressão de subtração sobre madeira, 5 metros de largura por 3 metros de altura,

5 peças impressão fine art e metacrilato, dimensões variáveis, retratos de 4 ditadores presidentes, e um delegado torturador.

vídeo sampler de imagens reunidas durante a pesquisa sobre as organizações de esquerda dos anos de 1960-70 no Brasil, edição Biarritzzz, 23', 2019.

(Foto do painel: Julio Kohn, filmagem do painel: Traplev)
painel 2 , organograma das organizações de esquerda, arquivo Brasil Nunca Mais, 1985.

Painel impressão de subtração sobre madeira, 5 metros de largura por 3 metros de altura, contendo todas as organizações da esquerda no Brasil de 1922 à 1975.

10 peças impressão UV sobre madeira, dimensões variáveis, intervenção de letras e números sobre as páginas do documento encontrado por Ana Pato "dicionário da subversão" produzido pelo CISA (Centro de Informação da Marinha) de 1972 do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

(Foto acima: Julio Kohn, fotos da direita e abaixo: Traplev)
Grupo de trabalho Meta-Arquivo, Dossiê Traplev, volumes, I, II, III, tiragem única, 2019.

Editado por Ana Pato com assistência de Carolina Junqueira, o Dossiê reúne todos os documentos históricos que os artistas pesquisaram para realizar suas obras, cada artista tinha um conjunto de dossiês que ficavam na sala de documentação (fotos abaixo).

(Fotos: Traplev)
Registro de um dos encontros da escola de testemunhos, do grupo Contrafilé, detalhe do vídeo/slide na esquerda acima.
Foto Julio Kohn.
Registro do dia da abertura, 23 de agosto de 2019, Sesc Belenzinho, São Paulo, Brasil. (Foto: Traplev).
Registro da entrada da sala com as cortinas, a direita vista da entrada com a instalação de Rafael Pagatini, abaixo a esquerda, vista com obra de Ícaro Lira primeiro plano lateral, Grupo Inteiro no fundo e Ana Vaz projeção de filme ao fundo, abaixo a direita vista com obra de Giselle Beilguelman (Fotos: Traplev).
Apiyemiyeki, Filme de Ana Vaz, 16mm transferido para vídeo, 2019
Registros das obras de:
Rafael Pagatini (acima a esquerda)
Paulo Nazareth (acima a direita)
Mabe Bethônico (abaixo a esquerda)
Ícaro Lira (abaixo a direita).
Foto de Julio Kohl com obras de Paulo Nazareth à direita, ao fundo painel de Traplev e a direita fotos de Giselle Beiguelman.
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Almofadas Pedagógicas, Programa de Re-alfabetização Política, um banco com 5 almofadas cada reuniu conteúdos ao redor do contexto da ditadura militar, como a campanha das Diretas Já, a manifestação do Movimento Negro Unificado em 1978 em São Paulo, um comunicado das organizações clandestinas de esqerda marcando 7 anos do golpe militar, obra de Mario Ishikawa de 1980, entre outros contextos de luta por justiça social durante o perído, cada banco ficava em frente a cada um dos painíes.
Sala de documentações, onde a curadoria reuniu os Dossiês de cada artista e uma bibliografia específica ao redor da ditadura militar no Brasil, fonte de pesquisa dos trabalhos comissionados dos artistas, na parede ao fundo tinha esse organograma da pesquisa e dos acervos respectivos.
Foto de um dos cadernos da Escola de Testemunhos do grupo Contrafilé com sua mesa ao fundo e a direita vista com obras de Mabe Bethônico (a esquerda) grupo Inteiro a direita e painel de Traplev.
Clique no livro para acessá-lo em PDF
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vídeo/slide anti-monumento para Anísio Teixeira, princípios de referência ideológica do bem estar social, 2018/19. (mais detalhes no menu em "almofadas pedagógicas").
Como desdobramento da pesquisa para o projeto curatorial de Ana Pato, "Meta-Arquivo 1964-1985 Espaço de escuta e leitura de histórias da ditadura no Brasil", realizado de agosto à novembro de 2019 no Sesc Belenzinho em São Paulo, Traplev apresentou parte do processo do seu trabalho, no qual vem redescobrindo arquivos, dossiês, publicações, referências conceituais e políticas das organizações clandestinas do Brasil de 1960 à 1970.

O que é, quem foram, e o que fizeram as chamadas "Organizações Clandestinas de esquerda" no Brasil que foram obrigadas a atuar na clandestinidade após o golpe militar de 1964, praticamente dizimadas e ainda silenciadas no processo de "re-democratização" e na incompleta justiça de transição no país pós 1985.

VAR PALMARES, VPR, ALN, MR-8, MRT, POLOP, M3G, DI, COLINA, AP, PCB, são apenas algumas das mais de duas dezenas de organizações que lutaram contra a ditadura no Brasil.

Estas e outras subjetividades serão apresentadas como forma de re-inserir um processo de re-imaginação política e clandestina para a História do Brasil.

Resultado dessa pesquisa pode ser visto no vídeo/slide que fica sobre o painel dos Órgãos de Repressão.
O vídeo é para ser visto na vertical, para isso tem qe acessar no youtube e,
se puder virar a tela do computador.